quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[off dança] RIR PARA NÃO CHORAR


Rir para não chorar: Protesto no dia de eleições
Mandem suas fotos com um nariz de palhaço para o site www.rirparanaochorar.com.br com sua mensagem, e no dia da votação vista-se de preto e vá votar de NARIZ DE PALHAÇO. Se não tiver um, ou não souber onde comprar, não tem problema! Basta pinta-lo com tinta vermelha! E vamos espalhando essa idéia como forma de protesto sempre usando o #rirparanaochorar”.



Seguidores: estarei no dia das eleições com nariz de palhaço!!! É o que posso fazer, já que só anular não tá adiantando...

Me recuso a fazer outra coisa neste dia...

Quem mais vem?

Abraços de bailarina com cérebro!!!
Zah!

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Eu Não Pago Para Dançar!!!

Olá!!!!!
Conforme prometido, estou aproveitando minha folga para escrever...

Vamos ver até onde vai a polêmica com este assunto... Espero que não gere polêmica, mas sim debate! Polêmica é cafona! Debate é construtivo e inteligente!

Antes desta parte, é importante que nos situemos no assunto... Eu comecei a ter minhas primeiras aulas de Dança do Ventre e a estudar por vídeos em 1994. Em 1996, quando consegui me fixar com uma professora, logo peguei algumas turmas e comecei a fazer shows, um pouco pela falta de profissionais na época, um pouco pela minha experiência anterior com jazz e teatro, que contribuíram para que eu encarasse logo um palco. Na ocasião, nós éramos PAGAS para dançar. Eu, como aluna, com 6 meses de aula, recebia cachês que variavam de R$ 50,00 a R$ 300,00 na época.

Entre 1994 e 1998, aumentou muito o número de professoras. Talvez por influência da criação dos eventos voltados à Dança do Ventre, talvez pela vinda de grandes nomes como Amani e Samara para ministrar workshops, ou, ainda, pela valorização do Real, que facilitou a compra de CDs, fitas K7 e VHS, acessórios e roupas importadas, o fato é que surgiram novas professoras e profissionais. E uma bomba: É o Tcham no Egito!!! Ai, que época negra!!! Eu vendi brincos dourados e xales de quadril como água, e dava aula adoidado, mas era triste saber que aquele xale ou cinturão iriam parar em cima de algum shortinho de lycra, e que algumas alunas iriam ralar o tcham com os passos que estudei com tanta seriedade... Recusar shows virou rotina:

Pergunta:
_ Você dança a Dança do Ventre do Tcham?
Resposta:
_ E a mãe, tá boa???

Porém, essa onda "deixou" de herança ainda mais preconceito e ainda mais "professoras" que aprenderam "tudinho" em 6 meses... Grupo ao qual não aceitei fazer parte. Preferi investir o que recebia das alunas que entravam na academia sonhando em ser a próxima "Feiticeira do Huck" em estudo. Não o "estudo" ao qual algumas se referem hoje, que está fácil, de mão beijada, mas estudar mesmo, pagar caro por um workshop e dar a ele seu devido valor, estudando minuciosamente cada detalhe dos passos, e investir paralelamente em cursos de anatomia, língua árabe, música, e outros que se fizessem necessários.

Porém, a realidade mudou. Após os primeiros eventos ligados à Dança Oriental, seguiram-se vários. Todo mês temos eventos à escolha, com um ponto em comum: Paga- se para dançar!!! E os cachês? Com o decorrer dos anos, se tornaram cada vez menores. E o fim de tudo chegou com a novela "O Clone". Durante a novela, foi tudo muito bom para quem já estava no mercado. Mas depois, o efeito foi pior do que o "efeito Tcham". Bailarinas por todos os lados, muitas suplicando por um lugar ao sol. E, assim, desvalorizando ainda mais nossa classe, pois nos tornamos, assim, consumidoras, e não prestadoras de serviço. Possivelmente, pela competitividade existente entre nós mulheres... Talvez... O que importa é aparecer! É estar por cima!!! Na frente! Todas precisam dos selos, e as que não conseguem criam outros selos. Foi num evento legal? Ah, precisa fazer um evento também!!! E os variados eventos viraram assim uma troca de favores: Você vai no meu, eu vou no seu, todo mundo fica feliz e ninguém precisa saber que você saiu falando mal da falta de higiene no banheiro que virou camarim, ou da filmagem medonhosa!!! Filmagem que você paga mesmo sabendo que a equipe de profissionais não é uma equipe de profissionais.

E os concursos? Hoje fica difícil para uma bailarina iniciante discernir entre um concurso sério, com um júri competente, de uma competiçãozinha fundo de quintal. Até porque o marketing pessoal, no nosso meio, fala mais alto do que uma efetiva competência e experiência profissional. Aqui, você é o que você diz que é, e vai do seu público acreditar ou não.

Existem SIM concursos sérios, profissionais competentes, "selos" e padrões originais, e equipes de foto e filmagem idôneas. O foco do texto não é discutir a qualidade de cada serviço, mas como a ACEITAÇÃO dos genéricos nos afeta. Carapuça veste quem acha que serve. Não estou aqui para ofender ninguém. Mas sei que muitos se sentirão ofendidos...

Há poucas semanas atrás, ocorreu um fato curioso: eu recebi um convite para dançar em um grande evento (não do meio da dança, um evento popular voltado à cultura). Fiz algumas exigências e, no meio das negociações, uma pessoa que estava ajudando na organização me ligou contando que o marido de uma bailarina ligou oferecendo ela, as alunas, música ao vivo e barraca com comes e bebes típicos tudo de graça. Eu respondi que eu não teria condições de bancar aquilo, que eu poderia oferecer se a cidade tivesse verba, e que eles fizessem o que achassem melhor. Ainda fui pessoalmente dar satisfação aos organizadores a respeito de ter saído do evento, por educação. Mas bancar tudo só para passar a perna na outra, isso eu simplesmente não faria nem que pudesse.

É claro que as pessoas de boa índole acharão isso absurdo, outras acharão que ela tinha que vender o peixe dela (mesmo pagando só para passar a perna nos outros grupos da cidade e não podendo de fato oferecer o que prometeu pelo telefone no fim das contas), e as que fazem a mesma coisa certamente se sentirão ofendidas com minha postagem...

Enfim...

O que fica depois de tudo isso é uma nova realidade. Quer dançar? PAGA! Não é da panela? PAGA! Não tá na moda? PAGA! Não é uma das poucas abençoadas com o kit "beleza+talento+técnica+juventude"? PAGA! Não interessa se você estudou, se você se dedicou, se você é profissional, se cobrar para dançar vai aparecer alguém que faça de graça, e se você fizer de graça vai aparecer alguém que pague!

O outro lado da moeda:

A dança exige anos de estudo. Eu tive a sorte de ter começado numa época na qual éramos poucas, e de ter uma vivência anterior em outras danças, que facilitaram a minha inserção no mercado da dança. Mesmo assim, já havia pago para ir com o grupo de ballet, de jazz e de dança moderna participar de festivais. Estar em festivais de dança e em concursos faz parte do aprendizado. Encarar o público faz parte do estudo, também. Estar em um evento proporciona visão e troca de informações.

Não acho nem saudável fazer apologia ao boicote às taxas de inscrição. Tem hora para tudo, e existe uma fase na qual devemos participar de eventos, e essa taxa deve ser encarada como investimento. Um evento bem feito, com palco, iluminação, camarim, boa localização, equipe de locução e som, boa estrutura, decoração e tudo o que uma estudante da dança precisa para mostrar seu trabalho sai bem caro. O trabalho dos fotógrafos e cinegrafistas que nos acompanham DEVE ser valorizado. Como uma bailarina vai passar a ser profissional do nada? Experiência no palco também faz parte do estudo.

Dois são os grandes erros: Um deles, a cobrança por algo que não está a altura. Se você paga 20 reais para dançar em um evento, espera no mínimo que se tenha uma água para beber e papel higiênico no banheiro! Muitas vezes, pagamos, e, ao chegar no local, dançamos em "palcos" improvisados com tábuas soltando, sem iluminação, sem som... detalhes que deviam ter sido incluídos no orçamento. No caso da minha crítica às equipes de foto e filmagem, se o trabalho está mal feito está roubando espaço dos verdadeiros profissionais e, ainda, desvalorizando nosso trabalho como bailarinas. E o segundo grande erro é confundir as amadoras com as profissionais. Profissional não tem que pagar! Profissional tem que ser respeitada e valorizada. Mas, muitas vezes, me deparei com "colegas" que estavam mais preocupadas em tentar se sentir um pouco melhores se fazendo aparecer como mais importantes que as demais.

Entra aqui um fator importante: RESPEITO! Nunca cito nomes aqui, nem uso meu Blog para fazer picuinhas nem jogar indiretas a ninguém... Então não vou citar os nomes aqui, hoje, nesta postagem, para falar das coisas boas... Mas quero dar alguns exemplos de pequenas atitudes que fazem a diferença!

Estive como convidada em um evento. Não recebi cachê, mas também não paguei. Mas a maioria das meninas que lá estavam pagaram. O local era pequeno. Mas a organizadora foi no camarim inúmeras vezes só pra saber se estávamos gostando, se estava tudo bem e se precisávamos de alguma coisa! Mesmo com a correria, manteve o sorriso!

Dancei recentemente num evento pequeno, e não teve cachê. Também não me foi cobrado nada. Fui me trocar. Enquanto me maquiava, alunas da organizadora levavam água e petiscos no camarim para as bailarinas. Não houve uma única falha no som, mesmo tendo sido feito em equipamento amador. Sem atrasos, sem stress, todas colaborando entre si!

Colegas de trabalho devem se respeitar. E não fazer de conta que a colega não é profissional o suficiente, e que tem que pagar para aparecer mesmo depois de 8, 9, 10, 15, 20 anos de estudo. Já passou da hora de nos unirmos, de encararmos que somos iguais, e que, independente de dinheiro e status estamos juntas por um bem maior: o amor à arte, à cultura, o incentivo à preservação de uma tradição, a alegria de levar a dança ao mundo e fazer dessa loucura toda um lugar melhor!

Para chegarmos a uma conclusão construtiva, criei a comunidade:


A foto é uma brincadeira.
E é com a brincadeira, com o senso de humor, que eu tento tornar tudo mais leve. Sempre.





terça-feira, 17 de agosto de 2010

Peraí Que Eu Já Volto!!!!

Oi...

Tô devendo pra vocês, né?


Bom, do ano passado ( quando eu era uma blogueira ativa) para cá, muita coisa mudou... Não sei por onde eu começo, só sei que neste exato momento não vou conseguir concluir!!!


Beirar a idade de Cristo não é mole... Já não dá mais para viver de dança e, por conseqüência, não dá mais para dedicar-me em tempo integral a ela... Neste último ano, muita coisa mudou... à minha rotina diária, que envolvia cuidar de minha filha, produzir artesanato, dar aulas, preparar workshops, confeccionar roupas, ensaiar com o grupo e dançar, somaram-se um emprego fixo de 40 horas semanais e um namoro ( espero que este vá pra frente)... Infelizmente, as primeiras coisas que abandonei foram o msn e este Blog...


Abandonado, mas não por completo. Estou sempre pensando "Putz, tô devendo texto novo", e tenho algumas coisas em andamento, já parcialmente digitadas, incluindo o artigo sobre recuperação pós- parto e dança, que algumas meninas me pediram. Não, não esqueci de vocês!!!


Enquanto isso, vou enlouquecendo com as coisas normais que pessoas normais fazem, como pegar congestionamento e condução lotada todos os dias... Só para citar um exemplo...


Abraços, paz e luz a todos!

Zahrah ( em ritmo de dia com 32 horas!)

*** Na foto, esta que vos escreve completamente surtada devido à nova rotina.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

E o que a Yoga tem com isso???

Para quem dança Tribal Fusion é essencial. Para a Dança do Ventre tradicional, um aliada perfeita. E para estas, o texto pode parecer meio sem sentido, já que isso é tão óbvio. Mas não somente bailarinas lêem meu blog. E, acreditem! Ainda aparece gente que me faz esta pergunta...




Desde que iniciei minha carreira, inseri posições de yoga no aquecimento e com o tempo fui percebendo a importância e diferença que a prática pode conceder à nossa dança e à nossa vida. Creio que o principal seja o lado espiritual. Quando você se conecta com sua luz interior, você se conhece, entra em contato com o espiritual_ isso é INDEPENDENTE de religiões e rituais_ passa a meditar e entender o significado das coisas, a dança passa a ter outro significado. Após o nascimento da minha filha, tive problemas de saúde e fui obrigada a parar de “brincar” de yoga e adotar a prática consciente. Houve uma transformação completa na minha maneira de enxergar minha dança, minha carreira, e me vejo transformada na forma como lido com as pessoas. Bom, creio que o ponto principal seja esse: o contato com o espiritual antes do material. E repito, espiritualidade nada tem a ver com instituições. Falo do contato consigo mesma. A consciência do que somos ou somente estar no caminho para essa consciência.

Foto: Rachel Brice



O segundo detalhe importante é a presença. Quando praticamos os ássanas, passamos a SER o ássana, e não somente imitá- lo. Corpo, Mente e Espírito estão conectados. Isso proporciona equilíbrio, não somente no corpo, mas na forma como nos colocamos perante as situações da vida, e passamos a ser mais presentes e conscientes em todas as nossas atividades. Eu acredito que isso ajude na presença em cena na dança. Você sabe exatamente o que está fazendo, o porque e passa a SER a personagem. Pelo menos enquanto está no palco.





No plano físico, o yoga trabalha pernas, quadris, abdômen, peito, ombros, força nos braços, alinhamento e eixo. Trabalhamos força e alongamento simultaneamente. Estamos trabalhando todas as partes do corpo necessárias à prática da dança do ventre. O peito fica mais aberto, auxiliando na postura. Os braços ficam sustentados com menos esforço. Adquirimos força para realizar agachamentos e trabalhos de chão. Com abdômen fortalecido e região intercostal alongada, fazemos os movimentos com força e leveza, sem prejudicar a coluna. A dança também proporciona alongamento, força, equilíbrio e leveza, mas Yoga e Dança se completam, se complementam, e ter as duas práticas pode trazer um resultado rápido e eficiente. Precisa comentar mais?





Voltando a falar do plano espiritual e consciência... É com pesar que vejo tantos comentários pelas comunidades e bastidores afora, dentro do círculo da dança, sobre o quanto "tanta gente é fútil, vazia. Como existem bailarinas puxando o tapete umas das outras... Só pensam em dinheiro... Fazem qualquer picaretice por dinheiro, não possuem personalidade". Não, a intenção não é generalizar... e nem restringir esses "defeitos" às bailarinas somente. No fim das contas, o mundo é assim, e não somente o mundo da dança. Nosso sistema capitalista nos desconecta do espiritual, e a religiosidade está mais para fanatismo, e mais ligada a imposições tidas como corretas pela mídia e pela sociedade do que com uma verdadeira ligação com um Poder Maior. Onde entra a prática da yoga+dança neste ponto? A prática como caminho espiritual pode nos levar a um estado de consciência onde podemos encontrar o ponto onde o dinheiro é necessidade, e o ponto onde passa a ser supérfluo e começa a ganância. Não posso falar o que se passa no coração das outras pessoas, mas posso falar o que sinto no meu. Quando comecei a dançar profissionalmente, muita coisa se perdeu no que era minha dança em essência. Passei a lidar com contratantes exigentes, e essas exigências iam além do que eu era naturalmente. Passei a conhecer outras bailarinas, e muitas delas não pensariam duas vezes antes de me dar um bote, e isso foi assustador no início. Para mim, para minha vida pessoal, passei a entender que cada um tem seu papel dentro desse grande mundo da dança:





Não preciso ser organizadora de evento, professora, bailarina, bordadeira, cinegrafista, escritora, pesquisadora e especialista em tudo para me colocar neste mercado, entendendo que meu negócio é ensinar. Existem pessoas com diversos talentos em especial. O que gosto MESMO de fazer é ensinar. Preciso de condicionamento físico, de uma voz bem colocada, e de alto conhecimento técnico. Para que, então, me martirizar por não ter um corpo perfeito em sua forma, ou por não ficar bem com o corte de cabelo da moda? Entender isso foi essencial para minha colocação como profissional, e seria de grande valia se mais pessoas enxergassem isso. Fui entender somente depois da prática consciente de meditação que não preciso estar sempre de ouvidos ligados a tudo o que dizem, e nem acreditar em tudo o que leio...





Não estou aqui falando em milagres, até porque não acredito neles. Estou falando em esforço para se transformar, e no uso de uma filosofia milenar para complementar o que faz tanta falta no meio da dança. E da minha dança antes e depois da yoga. Fico feliz em hoje conhecer o Tribal Fusion, estilo que veio de encontro com o que acredito: personalidade no estilo, liberdade para criação e consciência corporal profunda! E que, hoje, consigo dizer com humildade: sou apenas mais uma praticante e amante desta Arte!































segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Gothic Metal NÃO É GÓTICO!!!!!

Hein? Como assim?



Para nós que fazemos parte da "cena", isso é óbvio e claro. Mas sinto que é minha obrigação falar a respeito neste blog, que é voltado principalmente para estudantes de dança.



Com a modinha da "Dança do Ventre Gótica", "Gothic Fusion", "Dark Fusion" e "Tribal Gótico"_ que sinto que foi só um boom por causa da vinda da Ariellah ao Brasil, e logo voltará ao seu devido lugar_, muitas meninas que nada tem a ver com o universo underground têm aderido ao estilo. Algumas poucas tem absorvido o que "é" esse estilo e apresentado belíssimos trabalhos, mas de uma forma geral o que vemos são apresentações "Freak Show", "tribais" malfeitos e indefinidos com roupa preta, ou cópias_ perfeitas mas simplesmente cópias_ do que já foi feito. Geralmente, ao som de enlatados criados pela mídia para atender aos góticos de MTV de plantão. Então, vamos tentar entender um pouco mais sobre a subcultura? Creio que o artigo seja interessante a muita gente, já que todas dizem que ESTUDAM E SE INTERESSAM A FUNDO...



O primeiro ponto a ser pensado e analisado é: Gótico e Metal são duas sub ou contraculturas diferentes, com conceitos, origens e comportamentos diferentes. Até o visual é diferente, apesar de ambas as "tribos" usarem roupas pretas_ com o mínimo de conhecimento e convivência, dá para perceber claramente a diferença entre ambos.



Ambas as tribos possuem fortes referências musicais, aliás, eu mesma sou meio contrária a ser rotulada mas é inegável: quase tudo o que ouço é """gótico"""... Então pensemos na música. Tanto o metal quanto o gótico possuem raízes nos anos 70, e está aí nossa primeira diferença: no metal podemos encontrar claras influências de Black Sabbath, Deep Purple, e a maior banda "metal" é Iron Maiden, se não me engano formada por volta de 1975. Já o Darkwave e o Gótico, se formos pegar as primeiras bandas ( que não se auto- rotulavam como tal, mas pode- se dizer que foram "adotadas" como tal), veremos que vem de outra linha de influências musicais. Pensemos em The Cure, Siouxsie and the Banshees, Bauhaus, Joy Division... São todas bandas influenciadas por Velvet Underground, David Bowie, The Stooges... Influências diferentes= raízes diferentes= pensamentos diferentes.



Depois do "Heavy Metal original", vieram o Power Metal, Nu- Metal, Doom, Melódico e outras linhas, e foi em cima disso que surgiu o Metal com estética gótica. Foram inseridos vocais líricos femininos, orquestras, visual rebuscado... Bom, posso até citar algumas bandas autênticas, mas, como sempre, o que chega ao grande público já tá é bem enlatado. Utilizar- se da "estética" gótica não faz estas bandas serem góticas. Gótico é mais do que uma estética obscura e clipes com morcegos. Salvo algumas bandas, que criaram alguns trabalhos originais em cima desse "mix" de estilos, a maioria é produto. Um produto que, diga- se de passagem, veio com mais influências do Doom Metal do que do Darkwave.



É inegável que algumas bandas de metal possam se utilizar da estética gótica ou do Synth pop dos anos 80, assim como bandas consideradas góticas possam ter influência do metal. Sisters of Mercy, Fields of the Nephilim e Lacrimosa possuem, por outro lado, influências destes estilos. Trafegar por novos caminhos musicais não faz mal pra ninguém, e ter "influências" não significa perder a essência. Aliás, o universo musical gótico é extremamente rico e amplo. Mas se tem mais metal do que darkwave, não é uma banda gótica.



Finalmente, às bailarinas: se você usa uma banda de MTV, como Nightwish, Evanescence, e afins, pode sim fazer um belíssimo trabalho. Eu sou a primeira a defender que as pessoas devem dançar aquilo que gostam! Mas se você dança um metal está fazendo um outro estilo de dança. Isso é até melhor do que correr atrás do rebanho! Criar novos estilos, fazer o que se gosta, e não fazer Gothic Bellydance só porque o DVD é legal.



Ah, tá... sou chata? Estou falando groselha? Então assistam ao DVD. De novo. Lá ninguém dança Gothic Metal. Não é errado dançar, errado é fazer qualquer coisa e se apropriar de um rótulo que deu certo_ mesmo que esteja dando certo temporariamente: aguardo a próxima bola da vez!



Não sou contra o gothic metal também como estilo, e aqui não é minha intenção criticar. Minha intenção é INFORMAR. Essa confusão toda existe por falta de informação. Eu mesma ouço algumas bandas deste estilo, provavelmente desconhecidas do grande público, assim como ouço coisas que não são góticas ou post punk o tempo todo. Mas curtir algum compositor da MPB não significa que ouço tudo desse estilo, assim como gostar de uma banda ou outra de metal não faz de mim headbanger.



Na prática, basta pesquisar e conhecer o som a fundo pra entender a diferença. Existe uma distância enorme entre os estilos e, para isso, basta gostar o suficiente para ouvir. Não vou dar lista de banda porque tem paga- pau por aí que adooora decorar cartilha... rsrsrs... Eu gostaria que as pessoas parassem de decorar nomes do que é ou não gótico e passassem a ser sinceras com seus próprios gostos... ( desabafo mode on).



A grosso modo, devemos lembrar: o gótico tem um lado obscuro e sombrio, mas não é só isso, e nem tudo que é sombrio é gótico. E nem tudo que é gótico é sombrio:



É válido lembrar que este Blog é seguido não somente, mas PRINCIPALMENTE, por bailarinas e praticantes de dança do ventre e tribal fusion. Portanto, estou escrevendo em linguagem direcionada a este público. É claro que TODOS são bem-vindos ao meu Blog!!! Mas estou direcionando a postagem a uma grande massa de uma nova geração de bailarinas que estão mal informadas sobre o que é o Gothic Bellydance, e tentando praticar sem muito senso do que estão fazendo.



Repito, e se tiver que repetir mil vezes assim farei, que isto não é uma crítica ao gosto de ninguém, mas sim a um determinado comportamento. O Gothic Bellydance não é modalidade, é estilo! E, como já cansei de dizer, você faz o estilo que você é! O Tribal Fusion nos dá essa liberdade! Saber separar as coisas é uma questão de coerência, e já que estamos falando na Arte da Dança, compor o personagem é fundamental. Vejam bem, vocês estão tendo de graça uma informação que muita gente cobra para dar: construção de personagem. A "cara" de uma bailarina "Metal" deve ser diferente da cara de uma bailarina "Gótica". E, já que estamos falando de estilos diferentes, o tal do "Gothic Metal" DEVE TER UMA AMBIENTAÇÃO, FIGURINO, EXPRESSÃO E LEITURA MUSICAL DIFERENTES tanto do metal quanto do gótico! Não estou aqui condenando à guilhotina uma adolescente que se sinta feliz dançando uma música do Marilyn Manson ou do Evanescence. Mas tentando deixar bem claro que a bailarina que vai dançar Dead Can Dance tem uma energia diferente da que vai dançar Lacuna Coil, e ambas diferentes da que vai dançar Marilyn Manson.



Comentários póstumos ( inseridos meses depois da postagem original):

Quando escrevi este post, o Gothic Bellydance vinha crescendo desordenadamente no Brasil, e todo mundo queria participar da festinha! Atualmente, já temos algumas poucas profissionais começando a separar as coisas. Feliz eu vou ficar o dia em que todas fizerem como eu e ensinarem suas alunas a terem um estilo próprio, e não comprar o que é do outro, não imitar o que já foi feito. Meu trabalho é valorizar o que cada uma tem de melhor. Tá meio difícil explicar que técnica é uma coisa, estilo é outra, até porque isso é mais difícil de ouvir do que "Venha a mim, eu tenho a fórmula pronta!", e tem cada vez mais picatetas, ops, perdão... digo, cada vez mais "profissionais" que aproveitam o que as pessoas QUEREM ouvir e não a VERDADE para fazer sua fama. Uma pena... não entendem que somente o que é autêntico e verdadeiro dura...







quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Verdades e Mitos Sobre Gothic Bellydance

*** TEXTO ORIGINAL= DE AUTORIA PRÓPRIA***

*** SEJA EDUCADO E NÃO DESRESPEITE A LEI:

PLÁGIO É CRIME E DAR CRÉDITOS AO USAR É BEM EDUCADO***


Quando comecei a praticar e divulgar Gothic Bellydance, não havia quase nenhuma informação a respeito. O que é natural, já que este estilo surgiu de forma espontânea, não é uma técnica específica e pré- determinada como já repeti diversas vezes. Este Blog acabou se voltando para o estilo justamente pelas perguntas que eu recebia diariamente de pessoas interessadas_ inicialmente eu pensava em um Blog que tratasse da dança de maneira geral, com inteligência e sem preconceitos, mas o tema rendeu mais do que eu imaginava.

De 2004 para cá, o Gothic Bellydance cresceu rapidamente, agregou novas praticantes, ganhou em técnica e diversidade e tornou- se algo praticamente comercial. Em 2009, está em seu auge no Brasil, afinal a Ariellah esteve aqui e ninguém queria ficar de fora da “modinha” ou da “tendência”. Com um crescimento tão rápido, surgem informações equivocadas, coisas inventadas e disseminação de mitos. É por isso que estou fazendo esta coletânea de pérolas. Este não será um tópico fechado e pronto, estarei sempre atualizando, portanto se você leu ou ouviu uma pérola me mande! ( só não quero citar os autores da “pérola” e nem identificá- los, por favor. A intenção é INFORMAR e não expor as pessoas.)

Vamos lá!!!!!

“ Tribal e Gothic Bellydance é a mesma coisa”

A VERDADE POR TRÁS DO MITO: não. Não é a mesma coisa. Mas incrivelmente essa é uma dúvida e/ ou afirmação super comum. Por incrível que pareça, pois são coisas distintas. Dê uma lida no tópico Tribal X Gótico, onde inclusive lanço mão de um artigo super completo de Shaide Halim sobre os vários estilos dentro do Tribal.

“ As americanas inventaram o Gothic Bellydance”

A VERDADE POR TRÁS DO MITO: O Gothic Bellydance surgiu de maneira espontânea entre performers que dançavam em casas noturnas e raves góticas em diversas partes do mundo. Antes de saber da existência do GBD de maneira mais comercial nos EUA, já havia praticantes no Brasil, e ouvi relatos do mesmo fenômeno acontecendo na Europa. O que as americanas criaram foi o ATS, estilo tribal do FCBD ( Carolena Nericcio, lembram?), que foi o precursor do Tribal Fusion, que foi por sua vez amplamente agregado ao GBD. E fizeram DVD. É isso.

“As bailarinas de Gothic Fusion dançam fazendo mudras”

A VERDADE POR TRÁS DO MITO: O trabalho de braços é muito explorado e complexo do GBD, mas imitar os mudras indianos não é regra e não faz parte da subcultura gótica. Pode- se ( e deve- se) fazer os mudras se a música tiver inspiração indiana. Isso não é específico do Gothic Bellydance, mas sim uma influência do Tribal Fusion, e eles devem ser feitos SOMENTE se a música for claramente inspirada em música indiana.

“O Gothic Bellydance é dançado no Halloween”

A VERDADE POR TRÁS DO MITO: Subcultura Gótica, apesar de hoje existir em praticamente todos os continentes, vem da Europa. Halloween é uma comemoração Norte- Americana. Não são vinculados. A verdade é que, enxergando por fora, de maneira superficial, pode- se pensar que tem a ver... bruxas, vampiros, fantasmas... Enfim... A “estética gótica” vai muito além de se vestir como esses “personagens”. Mas, sim, no fim das contas pode- se usar a Gothic Bellydance em uma apresentação em comemoração ao Halloween, a estética é bem apropriada. Só não podemos vincular as duas coisas de maneira simplista.

Para começar são essas. Conforme for encontrando mais, vou colocando. E, como já falei, todas podem colaborar, desde que não se identifique nem ridicularize ninguém. E finalizo dizendo: DANÇA DO VENTRE, SEJA GÓTICA OU PURPURINADA, NÃO DÁ BARRIGA!!!


*** TEXTO ORIGINAL= DE AUTORIA PRÓPRIA***

*** SEJA EDUCADO E NÃO DESRESPEITE A LEI:

PLÁGIO É CRIME E DAR CRÉDITOS AO USAR É BEM EDUCADO***

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

AGENDA_ TribalFestival: A Dança como você nunca viu!

"O TRIBALFESTIVAL é um evento dedicado à troca de culturas, experiências e danças exóticas. A ideia deste Festival surgiu da necessidade de mostrar ao mundo a cultura tribal brasileira e produções, reunir diversas tribos em um só lugar e mostrar outras vertentes que a dança do ventre já produziu. ( ...) deixamos claro que este não é um evento bellydance ( ...) Será bem vinda toda e qualquer performance tribal, fusion, gypsy, neo-tribal, gothic, ventrebrasil exoticdance e vertentes. Também serão aceitas performances em grupo ou solo
não necessariamente relacionada ao ventre, mas sim ao exótico e diferente no mundo da dança!"

Organizado por Débora Brasil, o Tribal Festival tem de tudo para ser um marco na cena tribal em SP. Organizadora do E- Ventre, evento com anos de tradição e sucesso, já mostrou sua competência e agora inova ao reunir em um evento todas as vertentes "alternativas" da dança, valorizando o que fazemos no Brasil_ que, diga- se de passagem, tem muito a oferecer e acrescentar.

Entre os profissionais participantes, estão Shaide Halim ( Cia. Halim, pioneira no Estilo Tribal e C' Est Vintage), Nijme, Ally Hauff ( grupos Athala e Ganesha), Paula Braz ( Cia. Xamã), Kiki Gercia e Patricia Fox, Crystal Zárifa, Marinnah ( Espaço Deusa Bastet), e muito mais. além de shows, o evento conta com expositores e workshops.

Estarei apresentando solo dentro do estilo que desenvolvi ao longo dos anos dentro do Gothic Bellydance. Gostaria muito de ter a presença de colegas e amigos neste dia que certamente será especial.
Ingressos antecipados por R$10
mande email para tribalfestival@gmail.com
Ingressos na porta R$15
(para desconto de R$5 leve uma caixa de leite longa vida)

Para saber mais, acesse: www.tribalfestival.com.br