segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia Internacional de QUAL Mulher?

Bom dia, tarde e noite a todos e todas!!!
Sendo este um Blog dedicado à Dança como forma de Arte e Cultura, e não somente ao seu aspecto superficial e comercial, não poderia deixar de aqui manifestar meus sentimentos sobre nosso 8 de março deste ano_ ironicamente, em pleno Carnaval.
Dependendo do interesse comercial, as datas podem suprimir ou fundir-se... esquecendo-se, é claro, do real sentido de cada uma delas, e pondo à tona somente a parte que nos faz esquecer de nossas aflições, afastar-nos de possíveis ideais, e acreditarmos no consumismo que envolve todas as datas ditas comemorativas.
Aliás... Não posso chegar ao ponto que me leva à indignação e revolta sem antes lembrar: estas datas já perderam, graças ao poder da mídia, seu sentido original e verdadeiro. Carnaval, conforme aprendi, era a data que antecedia a quaresma, seguida da semana santa, ou seja, comemoração cristã. Mais tarde, vieram os desfiles de máscaras, e, no Brasil, país marcado pelo sincretismo religioso, diversas manifestações culturais e populares. Seria ignorância de minha parte simplesmente "falar mal" de carnaval, esquecendo-me do "brincar" ou dos nossos bonecos de Olinda. O que vejo hoje nas notícias e nos desfiles das Escolas de Samba pouco tem a ver com o caráter cultural da data.
Nas ruas, pessoas bêbadas, em inércia intelectual, simplesmente seguindo o bloco, extasiadas pelo brilho das lantejoulas, pelo batuque frenético (que deixa de ser música após algumas doses) e pelos corpos seminus. No alto dos carros alegóricos, mulheres providas somente de tapa-sexo e esplendor chacoalham seus "corpos perfeitos", modelados durante o ano todo graças ao silicone, aplicações de enzimas, botox, lipoaspirações, muita malhação e pouca comida. Pra que ter neurônios quando se tem silicone? Ninguém está interessado se você tem boas idéias se você tem uma boa bunda, mesmo...
8 de março em plena terça gorda... Dia da Mulher lembra ganhar perfume, flores e lingerie. "De mulher pra mulher" o cacete! Eu gosto mesmo é de ir sozinha e escolher minha própria calcinha, que seja confortável e macia, e que não venha com um olhar de "o presente é pra mim e não pra você" acompanhando o pacote! Limitado hoje a mais uma data onde as pessoas gastam dinheiro com presentes, o Dia Internacional da Mulher tem origem na luta das mulheres russas por melhores condições de vida e trabalho digno_ não posso deixar de comentar que, logo no início do século XX, já veio os Estados Unidos querendo reivindicar a autoria da idéia. Independente do local de onde tenha vindo, a verdadeira origem está em manifestações das mulheres operárias.
Dia Internacional da Mulher deveria vir marcado pela imagem de uma mulher forte, trabalhadora, guerreira, com fortes ideais, batalhadora... Mas a mídia nos fez o desfavor de reduzir essa imagem à mesma mulher que ganha liquidificador de aniversário.
Imagem esta reduzida à mesma mulher que corre atrás dos filhos, sai pra trabalhar cedo, concilia família, estudos, trabalho e cuidados com a saúde ao mesmo tempo e sem total atenção a nada_porém com total dedicação, e jamais é vista por seus reais atributos. É presenteada com a lingerie da Marisa ( provavelmente dois números menor, o que acarretará numa possível crise depressiva) e com o liquidificador, como se fossem um "cala a boca, você já conquistou a igualdade de direitos!", enquanto a TV nos faz engolir imagens das "mulheres perfeitas" que não conseguimos ser, mesmo com tanta dedicação.
Silicones, plásticas, liftings, aplicações, lipos, lipinhas se liponas fuzilam nossos olhos, que, em seguida, olham para o empiastro esparramado no sofá, babando ( livrei-me dessa sina em 2005, e me livrei do "quase" em dezembro de 2010!!!), enquanto nossos neurônios, que deveriam estar trabalhando em prol de algo para nós mesmas, se dividem entre convicção e dúvida. Para mim, a tal da ditadura do corpo perfeito é um atentado à mulher moderna. Uma verdadeira mutilação da auto-estima! Covardia dos "mais fortes" em nome do comércio.
Afinal, todas hoje tem que ser magras, e a ditadura da magreza gera lucro dos dois lados: primeiro, na comilança, depois nos remédios!!! Uma tímida tentativa de olhar para nossas estrias como cicatrizes de guerra, com orgulho, pode ser massacrada após a primeira rebolada de uma operada. Plásticas hoje são acessíveis. Pra que sustentar a auto-estima pro resto da vida (lembrando que esta é frágil e pode se afogar na próxima TPM) se podemos pagar novos peitos em 24 vezes???
Não posso bater o martelo porque não tenho paciência para assistir a cada um dos desfiles em busca de um sentido mais profundo... mas, a meu ver, a mulher homenageada neste 8 de março não é a mulher "de verdade"! É a mulher na beleza de suas curvas cuidadosamente esculpidas! Não a mulher em sua beleza natural, ou em algo mais que a beleza. Ou, se houve a idéia, provavelmente ficou ofuscada pela bunda purpurinada de alguma passista...
Mais uma vez, o real sentido das coisas ficará esquecido. Duplamente. Infelizmente....

4 comentários:

  1. Verdade, Zahrah. Tudo vira consumismo e dor na consciência. Porque a nossa sociedade é feita da insatisfação, satisfação momentânea e entorpecida seguida de dor na consciência. Não nos querem satisfeitos, só nos querem gastando em busca de uma perfeição e de uma felicidade falsa e plástica.

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  2. viva as curvas naturais! hehe

    saudades lindona!!!

    bjus

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  3. Zahrah, como sempre digo, vc escreve muito bem e não importa qual é o assunto. Vale a pena ficar tempos e tempos sem publicar nada, afinal é complicado fazer isso com tanta frequência quando nosso "ganha pão" não é esse.
    Acho interessante que vc apresenta os assuntos de forma polêmica, com uma criticidade saudável e não destrutiva como é costumeiro por aí.
    Achei importante sua colocação sobre o real significado das datas, e as mudanças que estão ocorrendo sobre o valor de se comemorar algo.

    Acho que é sempre importante nos questionarmos sobre tudo, para que tenhamos noção da realidade, para que tudo o que acontece por aí não seja aceito por inércia e sim, por consicência. Mas também não devemos deixar que nossos questionamentos nos impeçam de agir... O equilíbrio é sempre importante.

    Bju!

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  4. Não acredito que reencontrei você...

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